CENTRO UNIVERSITÁRIO SERRA DOS ORGÃOS




Professora Vânia Silami Lopes é exemplo de amor à Medicina, à licenciatura e à vida

12-04-2019

A professora Vânia Gloria Silami Lopes acumula mais de 50 anos de exercício da Medicina e, recentemente, celebrou mais um feito: entrar para a Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro. A professora leciona no Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso) há 20 anos e se considera “a pessoa mais feliz do mundo”. E não é para menos: além de uma base familiar sólida, Vânia coleciona amigos e diz que a convivência com os jovens a instiga a estudar e mantém a chama do saber sempre acesa.

Vânia está com 78 anos, mas mantém uma rotina cheia de compromissos. Frequenta o Hospital Universitário Antônio Pedro desde o terceiro ano de Medicina. É voluntária na Universidade Federal Fluminense (UFF), onde lecionou por 50 anos e se graduou. Mesmo aposentada pelo Ministério da Saúde, está atuando como consultora da Secretaria Municipal de Saúde de Niterói, em patologia, na maternidade Alzira Reis, e ainda atende na maternidade Perinatal, além de compor bancas de teses de concursos públicos.

Unifeso News: Como foi receber a titulação da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro?

Professora Vânia: Foi um sonho. Há anos eu não tinha um fim de semana tão feliz. Pude reunir, em um só momento, familiares e amigos. Foi preciso muita dedicação para participar do concurso, desde a elaboração do currículo, até as entrevistas e a preparação da monografia, mas valeu muito a pena. Estou realizada.

UN: A senhora foi uma das organizadoras da cerimônia. Quantas pessoas participaram da celebração?

PV: Cerca de 400 pessoas. Estava lotado. Organizamos a festa para 300 pessoas. Foi muito bonito.

UN: O Unifeso representou 50% dos novos membros titulados da Acamerj. Como a senhora avalia a importância deste feito para a instituição de ensino?

PV: Dos seis docentes titulados, três eram do Unifeso. A instituição passou a ser vista sob uma nova ótica. O Unifeso está em uma fase muito boa de reconhecimento em excelência de ensino na área médica, com docentes capacitados e empenhados na nova maneira de ensinar a Medicina. 

UN: Será possível fazer parcerias entre o Unifeso e a Acamerj?

PV: Sem dúvida. Inclusive, já estamos programando eventos e apresentações para os estudantes.

UN: Qual o caminho para chegar à Academia?

PV: Todos os nossos estudantes podem, um dia, chegar à academia. Para isto, é necessário que se dediquem e se comprometam com a profissão que escolheram.

UN: Como é feito o processo de candidatura?

PV: Fiquei sabendo do processo de inscrição para a Acamerj e que havia uma vaga disponível em Anatomia Patológica. Eu já tinha material de 50 anos de estudos na minha especialidade, então já me sentia em condições de dar uma contribuição em relação ao exercício da minha especialização, que é patologia fetal neonatal. 

Fui construindo minha vida profissional com muito entusiasmo e acumulando diversas experiências, que me deram segurança para disputar uma cadeira na Acamerj. Sou muito determinada e sempre pensei que um dia seria da Academia. Estudei muito, dediquei-me muito e me dedico até hoje. 

Para a minha monografia na Acamerj, escolhi como tema Sífilis Congênita: quebrando paradigmas, porque existem muitas noções erradas sobre a doença. Pude mostrar, com o meu material, que muitos sinais e sintomas da doença já vêm da vida intra-uterina. Há poucos trabalhos publicados no Brasil sobre a patologia da sífilis, por isso, minha apresentação foi bastante impactante. Todos os casos que apresentei foram vivenciados, não peguei nada em livros. Usei a literatura somente para comparar.  

UN: Fale um pouco mais sobre a sua especialização. 

PV: Trabalho com a saúde materno-fetal, uma especialidade muito rica, que começou no Brasil com a Dra. Aparecida Garcia. Eu tive a felicidade de conhecê-la e trabalhar com ela por cerca de 40 anos, no Instituto Fernandes Figueira (IFF), onde fazia residência em pediatria, em neonatologia. No início da minha carreira, eu queria ser pediatra, mas não me contentava em não saber explicar o porquê das doenças. Então, pensei em fazer patologia pediátrica para entender o mecanismo das diversas doenças pediátricas, e comecei a associar à patologia clínica. A anatomia patológica e, consequentemente, a patologia pediátrica, dão suporte à clínica, à cirúrgica e a várias as outras especialidades.

UN: Qual o segredo para chegar aos 78 com disposição e vontade de realizar?

PV: Espero ainda realizar mais coisas nos próximos dez anos. A vida para mim é uma maravilha, gosto de ler e de escrever poesias. O discurso que preparei para a posse na Acamerj, por exemplo, falou de amor, amizades e emoções. Comparo a minha caminhada à escalada de um alpinista, que chega ao cume de uma montanha e dá graças a Deus pelo tempo que ele passou escalando. O alpinista consegue chegar ao ápice com perseverança, com dedicação e com a ajuda de Deus. É assim que avalio a minha caminhada até aqui.

Por Juliana Lila